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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Custos com matérias primas - Produtos para Consumo - FMCG

Rendimentos: o que os livros de custos raramente explicam

A análise apresentada a seguir foi construída a partir da minha experiência profissional em indústrias de processo. É um tema muito importante, mas raramente abordado com a profundidade necessária nos livros tradicionais de contabilidade de custos.

Diferenças decorrentes de erros de apontamento podem se compensar ao longo do tempo. Se determinado consumo for reportado a maior em um período, provavelmente haverá um apontamento a menor em outro.

Quando esses erros são pontuais e pouco frequentes, o problema pode ser administrável. Entretanto, é comum encontrarmos erros sistemáticos nos apontamentos de consumo e nos reportes de produção. Por trás dessas ocorrências, frequentemente existem falhas de processo, controles inadequados ou problemas de gerenciamento.

Existem, pelo menos, dois tipos de consumo de matérias-primas que podem gerar perdas. Essas perdas precisam ser medidas, monitoradas e analisadas.

1. Processos de mistura simples

O primeiro tipo é o mais simples. Consiste em colocar diferentes matérias-primas em um recipiente e misturá-las, sem que ocorra uma transformação relevante em sua composição.

Processos dessa natureza normalmente não geram grandes diferenças entre a quantidade de matérias-primas que entra no processo e a quantidade de produto acabado a granel obtida ao final.

As principais perdas estão relacionadas:

  • ao material que permanece retido nos misturadores, tubulações e recipientes;
  • às matérias-primas ou aos produtos retirados para amostragem;
  • aos pequenos derramamentos e resíduos gerados durante a movimentação.

A relação entre a quantidade de matérias-primas que entra no processo — input — e a quantidade de produto processado que sai — output — é denominada rendimento, ou yield, em inglês.

Os processos de mistura simples costumam apresentar rendimentos elevados, pois suas perdas são relativamente pequenas. Dependendo das características do processo, podem alcançar índices superiores a 95%.

2. Processos com transformação de matérias-primas

O segundo tipo é mais complexo e ocorre quando existe alguma transformação física ou química das matérias-primas.

Um exemplo simples é a fabricação de bolos. Misturamos os ingredientes, colocamos a massa nas formas e levamos o produto ao forno. Durante o cozimento, ocorre perda de líquido e transformação da massa.

Como exemplo, esse processo poderia gerar uma perda de 10% a 15%. Caso a perda fosse de 15%, o rendimento seria de 85%.

Isso significa que, para cada 100 quilos de massa colocados nas formas para assar, seriam obtidos aproximadamente 85 quilos de bolo processado.

Nas empresas químicas, é muito comum que processos envolvendo reações químicas apresentem perdas relevantes. Nas indústrias alimentícias também ocorrem inúmeras transformações que alteram o peso, o volume, a umidade e a composição dos materiais.

Em uma empresa na qual trabalhei, que realizava o refino de milho para a produção de amido, havia um profissional dedicado quase integralmente à apuração e à análise dos rendimentos obtidos.

Essa dedicação era necessária porque o rendimento podia variar em função de três grandes grupos de fatores:

  1. qualidade das matérias-primas;
  2. condições e eficiência dos equipamentos;
  3. fatores humanos e condições operacionais.

Por isso, a análise do rendimento não pode ser uma atividade restrita à Controladoria ou realizada apenas por meio de planilhas.

Ela exige controles confiáveis, presença no chão de fábrica e trabalho conjunto entre Controladoria, Produção, Engenharia, Qualidade e demais áreas operacionais.

Mais importante do que simplesmente calcular o rendimento é compreender por que ele variou, qual foi o impacto econômico da variação e quais ações precisam ser tomadas para evitar que a perda se repita.

Conclusão

O rendimento é muito mais do que um indicador operacional ou uma fórmula utilizada para comparar input e output. Ele é um instrumento de gestão que ajuda a revelar perdas ocultas, falhas de processo, problemas de qualidade, ineficiências dos equipamentos e oportunidades de redução de custos.

Um rendimento de 85%, por exemplo, não deve ser analisado isoladamente. É necessário entender se esse índice está dentro do padrão esperado, quais fatores provocaram a perda de 15% e qual é o impacto financeiro dessa diferença ao longo do tempo.

Uma análise consistente deve considerar, entre outros aspectos:

  • rendimento real versus rendimento padrão;
  • perdas por etapa do processo;
  • variações por lote, produto, turno ou equipamento;
  • custo das matérias-primas perdidas;
  • impacto das paradas, retrabalhos e desvios de qualidade;
  • evolução histórica dos indicadores;
  • planos de ação e responsáveis pela correção.

Quando o rendimento é acompanhado de forma integrada, a empresa deixa de apenas registrar perdas e passa a atuar preventivamente sobre suas causas. O resultado é maior confiabilidade das informações, melhor controle dos custos, redução de desperdícios e decisões mais rápidas e precisas.

A pergunta mais importante não é apenas “qual foi o rendimento?”, mas sim:

O que causou a perda, quanto ela custou e o que será feito para que não volte a acontecer?

Se este tema faz parte dos desafios da sua empresa, entre em contato para conversar sobre controles de custos, análise de perdas, indicadores de rendimento e melhoria da gestão industrial.

Contato:
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CUSTOS EM EMPRESAS QUÍMICAS - O que os livros e universidades não mostram

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Gestão de Custos · Indústria Química

Por que o custo real de um processo químico raramente é o que está na planilha

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Normas e Procedimentos Empresariais: Como Padronizar Processos sem Criar Burocracia

Quanto mais profissional é a gestão de uma empresa, maior tende a ser a necessidade de padronizar processos, definir responsabilidades e estabelecer critérios claros de execução e controle.

Isso, porém, não significa criar uma organização burocrática, repleta de manuais extensos que poucas pessoas consultam.

Na realidade, um bom sistema de normas e procedimentos deve buscar exatamente o contrário: simplificar, orientar e reduzir dúvidas na execução das atividades.

Tópicos de Controladoria / parte 5

Tópicos de Controladoria – Guia de Conteúdos sobre Controladoria Estratégica

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Contabilidade Estratégica: Uma Nova Contabilidade para uma Nova Gestão

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A contabilidade evoluiu muito nas últimas décadas. Mas será que os demonstrativos financeiros tradicionais, sozinhos, são suficientes para apoiar a gestão estratégica de uma empresa?

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A Demonstração do Resultado mostra quanto a empresa vendeu, quanto gastou e quanto ganhou. Uma DRE Estratégica deve ir além: precisa ajudar a explicar por que esses resultados aconteceram, qual é sua tendência e o que a administração deve fazer a respeito.

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Como transformar um Balanço Patrimonial tradicional em uma ferramenta muito mais útil para a gestão, integrando números contábeis, indicadores de desempenho, semáforos, tendências e planos de ação?

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Balanço Patrimonial e DRE são fundamentais para compreender uma empresa. Mas podemos ir além: associar aos números contábeis indicadores, tendências e informações capazes de apoiar efetivamente a gestão estratégica.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

M&A - O que você precisa saber sobre Merges e Aquisições / dezenas de Links neste Blog

Seguem dezenas de Links neste Blog sobre M&A. Clique para continuar

Change Management - Gestão da Mudança: Teoria, Práticas e Abordagens de Renomadas Consultorias


M&A - Como tornar a sua empresa atrativa para compradores?

Controladoria 4.0: A Revolução dos KPIs e o Futuro da Gestão Financeira na Era da Indústria 4.0

Consultoria de Redução de Custos, Melhorias de Produtividade, Aumento de Lucro

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

50 Melhores práticas de gerenciamento de inventário

Replublico tradução automática e livre de um artigo incrível de altíssima qualidade. Mantive todos os link e dou todos os créditos a quem postou e EXCEPCIONAL ARTIGO.

Especialmente para aqueles que acham que Gestão de Inventários é coisa simples, recomendo muitíssimo a leitura completa desse artigo.

Controladoria -Preparando e Analisando Relatórios Financeiros

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Muitas empresas analisam precariamente Relatórios Financeiros ou até mesmo não analisam.

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