Ao longo da minha experiência profissional, convivendo com diferentes empresas, executivos e equipes, fui percebendo que bons resultados de liderança dificilmente se sustentam sobre uma única competência.
Um profissional pode dominar técnicas de gestão e ainda assim fracassar como líder. Pode ter enorme capacidade de mobilizar pessoas, mas comprometer toda a organização se lhe faltar ética. Da mesma forma, pode ser ético e inspirador, mas produzir resultados insatisfatórios se não souber gerir.
Foi a partir dessa reflexão que desenvolvi um modelo simples, que denominei Casa da Liderança.
A ideia foi inspirada em representações semelhantes utilizadas em gestão, como a conhecida “Casa da Qualidade”, mas aplicada a uma questão diferente: quais são os elementos que sustentam uma liderança consistente?
1. Ética: o alicerce
A ética está na base da Casa da Liderança porque deve orientar decisões, comportamentos e relações.
Não basta atingir metas. Importa também como os resultados são obtidos.
Uma organização pode apresentar excelentes indicadores financeiros durante determinado período e, ao mesmo tempo, estar construindo problemas graves quando seus resultados dependem de manipulação de informações, favorecimentos, desrespeito às pessoas ou transgressão deliberada de controles.
Por isso, a ética não deveria ser tratada apenas como um conjunto de valores escritos na parede ou no código de conduta. Ela precisa aparecer nas decisões cotidianas, principalmente quando fazer o correto é mais difícil do que escolher o caminho conveniente.
2. Capacidade de Gestão: transformar objetivos em resultados
Uma boa liderança também precisa de gestão.
Gerir significa estabelecer objetivos, definir responsabilidades, estruturar processos, acompanhar indicadores, administrar recursos, analisar desvios e tomar decisões.
É nessa dimensão que entram planejamento, orçamento, indicadores de desempenho, produtividade, custos, processos, qualidade, controles e tantas outras ferramentas gerenciais.
Um líder pode ser excelente no relacionamento com as pessoas, mas, se não conseguir organizar o trabalho e transformar objetivos em execução, dificilmente conseguirá sustentar bons resultados.
3. Liderança: transformar pessoas em equipe
A terceira dimensão é a capacidade de liderar pessoas.
Liderança envolve comunicação, confiança, exemplo, desenvolvimento, reconhecimento, capacidade de ouvir e, sobretudo, a construção de um ambiente no qual as pessoas compreendam o propósito do trabalho e assumam responsabilidade pelos resultados.
Um grupo de profissionais competentes não se transforma automaticamente em uma equipe.
É papel da liderança criar condições para que conhecimentos e habilidades individuais sejam direcionados para objetivos comuns.
Isso não significa simplesmente “motivar pessoas”. Significa conquistar credibilidade suficiente para obter envolvimento, cooperação e comprometimento.
O que acontece quando uma das bases desaparece?
É justamente aqui que a Casa da Liderança se torna uma ferramenta interessante de reflexão.
Por isso, uma dimensão não compensa permanentemente a ausência da outra.
A Casa precisa permanecer de pé
A simplicidade do modelo é proposital.
Quando analisamos um problema de liderança, podemos fazer três perguntas:
Ética.
Gestão.
Liderança.
Essas três perguntas ajudam a diagnosticar muitos problemas aparentemente complexos.
E talvez essa seja a principal mensagem da Casa da Liderança:
Uma empresa pode sobreviver durante algum tempo com deficiência em uma dessas dimensões. Mas organizações que pretendem construir resultados consistentes no longo prazo precisam manter toda a casa de pé.
Controladoria | Gestão | Liderança | Produtividade | Estratégia
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