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quinta-feira, 23 de junho de 2016

DesControladoria Estratégica

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Descontroladoria Estratégica

Muitas empresas gastam milhões em Software e Hardware para a implementação de sistemas integrados, mas negam recursos adicionais necessários como aprovação de horas extras e até contratação de funcionário temporário durante a implantação do sistema.

Vários gestores que conheci e conheço e que são altos representantes das DesControladoria Estratégica. Você pode estar estranhando o termo. É para estranhar mesmo pois ele nunca existiu, mas eu acabei de criá-lo.

Os gestores da DesControladoria Estratégica estão sempre antenados com as mais modernas abordagens. Eles chegam a participar de seminários caros e com gurus internacionais.
Eles leem as principais e mais modernas obras como:
– Estratégia competitiva                                   – Michael Porter
– A quinta disciplina                                         – Peter Senge
– Feitas para durar                                            – Jim Collins e Jeffrey Porras
– Balance Scorecard                                         – Robert S. Kaplan
– A estratégia do oceano azul                           – W. Chan Kim e Renée Mauborgne

Em suas empresas eles influenciam na adoção de técnicas modernas e avançadas e em linha com o que se pratica nas empresas “Best in Class” em seus setores.
Mas eles são tão ligados às coisas mais avançadas que sobre as mais básicas, não querem nem saber, deixando-as para subordinados ou outros colaboradores.
Eles se preocupam mais com a forma dos sistemas, do que com a essência dos mesmos.

Numa certa empresa em que trabalhei implantaram um maravilhoso sistema Balance Scored Card. Durante o treinamento fui duas vezes à Alemanha e recebi treinamento com uma das melhores consultorias do mundo. O sistema é excepcional, mas precisa ser bem implementado com inteligência e objetividade. No caso, implantaram um sistema tão rebuscado e tão cheio de indicadores, que o mapa estratégico parecia o mapa do inferno, com inúmeros KPI´s, alguns dos quais com medição impossível devido à sua subjetividade.

Sistemas precisam ter alimentação quase que “on-line”, o que ocorre hoje deve estar alimentado no sistema amanhã, ou hoje mesmo caso seja possível. Mas no caso do Balanced Scorecard implementado, a alimentação do sistema era trimestral, ou seja a empresa ficava sem nenhum feed back durante 90 dias, e apenas muito próximo ao prazo de 90 dias é que os números costumavam ser preenchidos. Não precisou de muito tempo para o sistema entrar em descrédito.

Hoje muitas empresas usam pessimamente o melhor sistema do mundo  que é o SAP. Empresas investem milhões na compra do sistema e na infraestrutura para seu funcionamento, mas negam recursos básicos para a implantação ser bem-sucedida, ou delegam a implantação a pessoas despreparadas.

Na área de custos nem se fala. Hoje os custos mais representativos são custos das matérias-primas e embalagens, sem contar com outros como custos de transportes, custos de manutenção, custos da qualidade e da não qualidade, custos da ociosidade e tantos outros.
Muitos dos gênios dos custos quase nunca entraram numa fábrica ou observaram efetivamente os processos. Muitas vezes eles adotam soluções mirabolantes para tratar custos com mão-de-obra e indiretos de fabricação, que não representam 10% dos custos totais.

Na área de Contratos muitas empresas ficam expostas a grandes riscos. Por vezes os contratos são mal elaborados ou os fornecedores são mal escolhidos, ou são escolhidos de forma suspeita. Ocorre com frequência a falta de acompanhamento para assegurar que o fornecedor cumpra o contrato conforme acordado.

Muitas vezes a rentabilidade dos clientes e produtos não são medidos satisfatoriamente pois verbas de marketing, fretes, e outros custos que apesar de serem diretamente relacionados a produtos e clientes, não são alocados ao nível deles, figurando por totais em algum centro de custos ou unidades de negócios.

Problemas se multiplicam, mas os gestores estão cada vez mais preparados para questões estratégicas, mas despreparados para as coisas mais básicas. Muitos deles já fizeram MBA, já contrataram consultorias famosas e estão com os olhos cada vez mais direcionados para as estratégias e posições mais elevadas. Mas a contínuidade de problemas facilmente identificáveis prevalece.Acabei de tomar conhecimento que numa certa empresa onde os exames de saúde ocupacional dos técnicos ficaram todos vencidos por deficiência da área de RH, trazendo desgaste, prejuízo e risco para a empresa.

Outros problemas como estoques excessivos, documentos extraviados, reconciliações atrasadas, fraudes e tantos outros continuam ocorrendo com frequência, mas os gestores em exercício não se envolvem com coisas menores, eles estão todos ocupados com a DesControladoria Estratégica.

Pensar estrategicamente é essencial. Sistemas e abordagens avançadas são muito úteis, mas cuidar do dia-a-dia e do básico é vital para a empresa. Um sistema avançado que se preza não substitui a eficiência e eficácia nos processos mais básicos da empresa.  Processos como recepção, limpeza, call center, contas a receber e a pagar e tantos outros precisam ser executados com eficiência e eficácia. Se isso não ocorrer os gestores focados em estratégias avançadas estarão num mundo do “faz de conta” e estarão alimentando um sistema de “DesControladoria Estratégica.

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