quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Tecnologias Aplicadas a Empresas: 5G, IoT, Automação e Ferramentas Digitais para Otimização

A Gestão de Preços e os Sistemas de Custos: Uma Perspectiva Avançada



A Gestão de Preços e os Sistemas de Custos: Uma Perspectiva Avançada

Gestão de Preços Contemporânea além dos Modelos Clássicos

1. Panorama Estratégico da Gestão de Preços

A gestão de preços representa um dos elementos essenciais para o posicionamento competitivo e a geração de valor sustentável dentro das organizações. Michael Porter destaca que a estratégia de preços deve estar alinhada à dinâmica da cadeia de valor e à estrutura de custos para permitir vantagem competitiva duradoura.

2. Integração entre Estratégia de Preços e Sistemas de Custos

A relação íntima entre precificação e sistemas de custos vem sendo amplamente explorada por estudiosos como Robert S. Kaplan e Robin Cooper, notadamente nos estudos da Harvard Business School. Quando decisões baseadas em custos são imprecisas, há riscos de erosão das margens e de perda de vantagem competitiva, sobretudo em ambientes com alta complexidade operacional.

3. Evolução dos Sistemas de Custos: Limites, Potenciais e Tendências

3.1. Limitações do Modelo Clássico

Abordagens convencionais, centradas em custos diretos de mão de obra e overhead, não refletem a complexidade dos custos modernos. Charles Horngren salientava que em muitos segmentos, custos com materiais, logística e unidades de suporte compõem a maior parte das despesas relevantes.

3.2. Novas Fronteiras: ABC/ABM, Target Costing e Kaizen

  • Activity-Based Costing (ABC) e Activity-Based Management (ABM): Estes métodos proporcionam detalhamento granular, conectando recursos, processos e produtos com precisão, fato enfatizado nos estudos de Kaplan e Cooper.

  • Target Costing: Adotado por mercados dinâmicos, especialmente no Japão e seguido por empresas globais, objetiva definir custos-alvo em estágios iniciais do ciclo de vida do produto, assegurando viabilidade financeira e percepção de valor.

  • Kaizen Costing: Fundamenta-se em melhorias contínuas pós-lançamento, estimulando eficiência operacional progressiva e redução sistemática de custos.

4. Desafios Multissetoriais: Da Indústria ao Setor de Serviços

Os textos clássicos focam em setores industriais, mas autores como Shank e Govindarajan, bem como análises recentes da Harvard Business Review, demonstram que bancos, seguradoras, hospitais e empresas logísticas exigem abordagens diferenciadas. A mensuração de custos em UTI hospitalar, rotas de transporte, produtos bancários ou consultorias evidenciam a necessidade de criar sistemas adaptados para diferentes realidades.

Exemplo: Kaplan e Norton desenvolveram o método TDABC (Time-Driven Activity-Based Costing) para mensurar custos reais em saúde, elevando substancialmente a precisão e utilidade para gestores clínicos.

5. Critérios Avançados para Formação de Preços

5.1. Custos de Materiais e Reposição

Robert Simons destaca a importância estratégica de incorporar custos de reposição ao processo decisório, protegendo margens frente às oscilações do mercado global de insumos.

5.2. Alocação Matemática de Custos Variáveis e Fixos

A alocação dos custos deve ser fundamentada em drivers estatísticos robustos, utilizando ferramentas como análise de regressão e modelagem preditiva, métodos frequentemente recomendados pelas escolas anglo-saxônicas de contabilidade gerencial.

5.3. Incorporação de Custos Comerciais e Operacionais Indiretos

A estratégia de Porter salienta que vantagem competitiva deriva da gestão integral dos custos, remetendo à inclusão detalhada de despesas provenientes da cadeia de valor, como bonificações, fretes, comissões e custos promocionais.

6. Exemplos Práticos de Aplicação




7. Representações Gráficas Sugeridas
  • Gráfico: Evolução das margens brutas versus custos de reposição.


Fluxograma: Aplicação do método TDABC 

Detalhamento de cada grupo

Matérias-primas a custo de reposição (35%)

  • Inclui:
    Compra de insumos e componentes básicos do produto, considerando o valor atualizado de reposição (preços atuais do mercado, inflação, reajustes de fornecedores).
    Custos de embalagem e materiais auxiliares.
    Custos com transporte de matérias-primas até a fábrica (se diretamente imputáveis).

  • Exemplo prático:
    Em uma fábrica de alimentos, farinha, açúcar, óleos e embalagens com o preço que seria pago hoje para repor estoque.


Mão de obra direta e gastos gerais de fabricação (25%)

  • Inclui:
    Salários, encargos sociais e benefícios da equipe que atua diretamente na produção/serviço.
    Gastos gerais de fabricação (energia elétrica, manutenção de máquinas, ferramentas, EPI's, água e outros custos compartilhados da operação).
    Custos de inspeção e controle de qualidade dentro da linha de produção.

  • Exemplo prático:
    Para produção industrial: salário dos operadores, supervisores de produção, manutenção das máquinas, limpeza da área fabril.


Serviços específicos utilizados no produto (20%)

  • Inclui:
    Serviços técnicos ou especializados contratados para agregar valor ao produto (ex.: consultoria técnica, certificações, laboratórios de análise, design industrial, transporte especial do produto).
    Terceirização de partes do processo produtivo (ex.: impressão, pintura, usinagem especializada, embalagem terceirizada).
    Licenças e royalties diretamente ligados ao produto.

  • Exemplo prático:
    Em uma indústria de cosméticos: contratação de laboratório para testar formulações, design de embalagem feito por empresa externa, frete especial para produtos sensíveis.


Custos comerciais (15%)

  • Inclui:
    Comissões de vendedores e representantes.
    Despesas com publicidade, promoções, bonificações, eventos e marketing voltados ao produto.
    Custos logísticos de distribuição (fretes, seguros, armazenagem não atribuída ao produto).
    Despesas administrativas de vendas (suporte ao cliente, processos comerciais, pós-venda).

  • Exemplo prático:
    Pagamento de comissão aos vendedores, campanhas de lançamento, custos de envio para diversos pontos de venda.


Análise preditiva (5%)

  • Inclui:
    Investimento em softwares, ferramentas de business intelligence, big data e projeção de cenários.
    Contratação de consultorias para análise setorial, previsão de demanda e benchmarking.
    Recursos dedicados à coleta e análise de dados históricos e tendências de mercado.

  • Exemplo prático:
    Empresa adquire software que prevê oscilações do valor de insumos, contrata estudos sobre comportamento de mercado ou desenvolve modelos matemáticos de simulação de custos futuros.

  • Diagrama comparativo: Formação de preços tradicional x com inclusão de custos comerciais indiretos.

8. Conclusão

A gestão de preços contemporânea deve ir além dos modelos clássicos, adotando sistemas integrados, adaptáveis e suportados por metodologias robustas como ABC/ABM, Target Costing e Kaizen. Referências como Porter, Kaplan e Horngren destacam que as novas dinâmicas empresariais, sobretudo em serviços, desafiam gestores a construir modelos dinâmicos, orientados por dados reais e focados na geração de valor. A interdisciplinaridade entre contabilidade, engenharia de produção e analytics desponta como o novo paradigma para pesquisa e prática em custos e precificação. Promover acurácia, adaptabilidade e visão sistêmica é, atualmente, o caminho para a competitividade e longevidade organizacional.

9. Bibliografia Detalhada

  • Kaplan, R. S.; Cooper, R. (1998). Cost & Effect: Using Integrated Cost Systems to Drive Profitability and Performance. Harvard Business School Press.

  • Kaplan, R. S.; Anderson, S.R. (2007). Time-Driven Activity-Based Costing: A Simpler and More Powerful Path to Higher Profits. Harvard Business School Press.

  • Horngren, C. T.; Datar, S.M.; Rajan, M.V. (2012). Cost Accounting: A Managerial Emphasis. Pearson.

  • Porter, M. E. (1985). Competitive Advantage: Creating and Sustaining Superior Performance. Free Press.

  • Shank, J. K.; Govindarajan, V. (1993). Strategic Cost Management: The New Tool for Competitive Advantage. Free Press.

  • Simons, R. (2000). Performance Measurement & Control Systems for Implementing Strategy – Text & Cases. Prentice Hall.

  • Norton, D.P.; Kaplan, R.S. (1996). The Balanced Scorecard: Translating Strategy into Action. Harvard Business School Press.

  • Harvard Business Review. Diversos artigos sobre precificação, custos estratégicos e criação de valor publicados entre 2000 e 2025.

  • Sloan Management Review. Artigos sobre inovação e tendências em sistemas de custos.

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terça-feira, 4 de novembro de 2025

A Crise dos Sistemas de Custos em Empresas de Serviços: Necessidade de Atualização e Novas Perspectivas



A Crise dos Sistemas de Custos em Empresas de Serviços: Necessidade de Atualização e Novas Perspectivas



Introdução

A evolução do setor de serviços na economia mundial impôs novos desafios à gestão financeira e de custos dessas organizações. Tradicionalmente, os sistemas de custeio utilizados pela maioria das empresas, especialmente as que atuam no setor de manufatura, estão defasados e não atendem às especificidades do serviço, dificultando a tomada de decisão estratégica e operacional eficaz. Essa lacuna na literatura acadêmica, aliada à resistência das instituições de ensino em atualizar seus conteúdos, compromete a formação de gestores capazes de implementar controles modernos, estratégicos e eficientes. Este artigo busca revisar criticamente essa problemática, apresentando abordagens atuais e recomendadas, além de evidenciar os custos pouco considerados na prática e na academia.

Desenvolvimento

1. Limitações e Defasagem dos Sistemas de Custos

Segundo Drucker (2004), o sucesso de uma organização depende, sobretudo, do uso estratégico e eficiente das informações de custos, que precisam refletir de forma acurada a realidade operacional. Todavia, grande parte dos sistemas de custos tradicionais, centrados nos conceitos da contabilidade industrial, concentra-se na alocação de custos indiretos, muitas vezes de forma arbitrária e pouco útil para a gestão de serviços. Como afirmam autores como Johnson e Kaplan (1987), esses modelos frequentemente priorizam a apuração de custos para fins de controle fiscal, negligenciando as dimensões gerenciais e estratégicas.

2. Tipos de Custos Pouco Considerados na Literatura e na Prática

Diversos custos específicos do setor de serviços ainda são pouco considerados ou mesmo ignorados na prática acadêmica e empresarial, como:

  • Custos de produtos bancários: encargos e despesas relacionados às operações financeiras, que precisam ser alocados de maneira adequada para precificação e rentabilidade ([OLIVEIRA, 2018]).

  • Custos hospitalares: complexos, pois envolvem procedimentos, internações, equipamentos e mão de obra especializada, demandando sistemas de custeio diferenciados ([SANTOS, 2019]).

  • Custos de consultoria e serviços profissionais: muitas vezes, subdimensionados ou mal dimensionados, prejudicando a precificação de projetos.

  • Custos de distribuição e logística: embora essenciais para varejo e transporte, permanecem secundários nas análises acadêmicas tradicionais.

  • Custos por metro quadrado em imóveis comerciais: relevante para administração de shopping centers e escritórios ([DIAS, 2020]).

  • Custos da qualidade: muitas organizações subestimam o impacto financeiro de falhas e retrabalhos, essenciais para o controle de desempenho ([POLLARD; NAIR, 2018]).

3. Abordagens Modernas e Recomendadas para o Controle de Custos

3.1 Custeio por Atividades (ABC)

O método de Activity-Based Costing (ABC) amplia a visão tradicional ao determinar de forma mais precisa os custos dos produtos ou serviços, considerando a causa e efeito das atividades realizadas. Segundo Cooper e Kaplan (1991), o ABC é fundamental para compreender as atividades que geram custos e contribuir para a redução de desperdícios e melhorias nos processos.

3.2 Gestão Estratégica de Custos

Drucker (2004) destaca que a gestão de custos não deve ser uma função isolada, mas integrada à estratégia organizacional. Assim, as informações de custos devem subsidiar decisões que envolvam inovação, precificação, investimentos em tecnologia e melhoria contínua.

3.3 Sistema de Custos Kaizen

Inspirado no conceito japonês de melhoria contínua, o Sistema de Custos Kaizen promove uma cultura de participação de todos os colaboradores na identificação de desperdícios e na busca por melhorias incrementais. Essa abordagem reforça o engajamento da equipe e contribui para uma redução sistemática dos custos operacionais ([ITO, 2017]).

4. Custos da Qualidade em Empresas de Serviços

A gestão dos custos de qualidade revela-se uma ferramenta vital para garantir eficiência operacional e satisfação do cliente. Segundo Juran (1998), os custos de qualidade são divididos em custos de prevenção, avaliação, falhas internas e falhas externas, sendo que a redução dessas despesas pode gerar melhorias significativas na rentabilidade.

5. Por que a Literatura e os Cursos Ainda Estão Defasados?

A principal razão reside na ênfase excessiva na contabilidade tradicional, que prioriza aspectos fiscais e de controle financeiro, em detrimento do suporte gerencial e estratégico. Além disso, muitos cursos ainda não incorporaram metodologias modernas como ABC e os conceitos de custos estratégicos, dificultando a formação de gestores aptos a enfrentar os novos desafios do setor de serviços (BURNS; VALE, 2020).

Conclusão

A necessidade de atualização dos sistemas de custos nas empresas de serviços é imperativa, uma vez que os métodos tradicionais não condizem mais com a complexidade e dinamismo atual dos negócios. A adoção de abordagens modernas, como o ABC, Gestão Estratégica de Custos e o sistema Kaizen, permite um controle mais estratégico, preciso e alinhado às mudanças de mercado. Investir na gestão de custos da qualidade também apresenta-se como uma estratégia decisiva para maximizar resultados. Para isso, é indispensável que o meio acadêmico e as empresas caminhem juntos na atualização das metodologias e no foco na gestão de custos orientada ao valor e à inovação.

Referências

BURNS, R.; VALE, C. Gestão de custos modernos: perspectivas e aplicações. São Paulo: Atlas, 2020.

COPE, R.; KAPLAN, R. S. Conceptual foundations of activity-based costing. The Accounting Review, v. 66, n. 4, p. 557-589, 1991.

DIAS, A. C. Custos de imóveis comerciais: uma abordagem gerencial. Revista de Administração Contemporânea, v. 24, n. 3, p. 345-366, 2020.

JURAN, J. M. Qualidade total: a estratégia do negócio vencedor. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1998.

OLIVEIRA, M. R. Custos bancários: uma análise de elaboração de relatórios de custos. Revista de Finanças, v. 12, n. 2, p. 89-104, 2018.

POLLARD, C.; NAIR, S. Custos da qualidade: controle e redução contínua. Contabilidade & Finanças, v. 29, n. 2, p. 134-150, 2018.

SANTOS, L. O. Custos hospitalares: metodologias e aplicações em hospitais públicos e privados. Revista Brasileira de Saúde Pública, v. 53, n. 4, p. 439-453, 2019.

ITO, T. Custos Kaizen e cultura de melhorias contínuas. São Paulo: Edgard Blücher, 2017.

Glossário

ABC (Activity-Based Costing): Método de custeio baseado na identificação das atividades que geram custos, permitindo uma apuração mais precisa do custo dos produtos ou serviços.

Custos da Qualidade: Valor total dos custos associados à prevenção de defeitos, inspeção, retrabalhos e perdas decorrentes da não conformidade de produtos ou serviços.

Gestão Estratégica de Custos: Abordagem que integra os custos ao planejamento estratégico da organização, buscando vantagem competitiva por meio de controle eficiente e inovação.

Kaizen: Filosofia japonesa de melhoria contínua, promovendo mudanças incrementais nas tarefas diárias para aumento de eficiência e redução de custos.

Custos de Setores Específicos: Custos associados a segmentos especializados, como bancos, hospitais, imóveis comerciais e serviços de consultoria.



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