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terça-feira, 6 de maio de 2014

PRÁTICAS PARA CONTROLE E GESTÃO EM EMPRESAS GLOBAIS / Operações Intercompany



Empresas multinacionais ou globais costumam apresentar certas similaridades no que diz respeito às práticas de gestão e controle. A seguir destaco algumas práticas comuns nessas empresas.


PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA ENTRE EMPRESAS DO GRUPO

Observação: O Preço de Transferência aqui tratado, também conhecido como Transfer Price, embora tenha a mesma essência não se refere à legislação de Transfer Price brasileira que regulamenta compras e vendas entre empresas do mesmo grupo.

Empresas ao definirem Preços de Transferência, devem antes de tudo avaliarem as legislações do países envolvidos para saberem se existem particularidades nas legislações sobre o Transfer Price

O objetivo do Transfer Price é regulamentar operações de compra e venda entre empresas do mesmo grupo. Os resultados oficiais das empresas intercompany não pode apresentar lucro proveniente de operações intercompany. Se houver lucro ele deve ser eliminado dos resultados

Os preços de transferência entre empresas do mesmo grupo são operações usuais nas empresas multinacionais. Essas compras e vendas são também chamadas de compras e vendas "INTERCOMPANY". Elas  não são vendas normais, pois são vendas internas ocorridas entre as unidades de uma mesma empresa ou grupo de empresas.

Se dois países participam da fabricação e venda de produtos o lucro efetivo pode aparecer apenas no país vendedor, todavia o país que fabrica parcial ou totalmente determinado produto deveria receber uma parte do lucro gerado. O Preço de Transferência é uma forma de transferir parte do lucro da empresa vendedora para a empresa fabricante.

Na consolidação de demonstrativos financeiros de empresas do mesmo grupo as vendas intercompany se anulam com as compras intercompany.

Os Preços de Transferência podem ser determinados de varias maneiras, todavia dentre às várias maneiras de serem calculados duas se destacam conforme segue:

Custo + Mark Up

Entenda-se por Mark Up uma porcentagem a ser acrescentada sobre os custos. No cálculo dos preços de venda normais (domésticos) a aplicação de Mark Up’s normalmente representa a simplificação de um cálculo mais complexo ou o resultado de uma fórmula matemática. Assim um preço de venda pode ser expresso da seguinte forma:

Profit Sharing ( Lucro compartilhado )

Esse sistema procura identificar o lucro total a ser gerado na venda de um produto que passe pela fabricação ou comercialização em dois ou mais países, após o lucro ser identificado se atribui uma parte ao país exportador. Assim o preço de venda do país exportador (Preço de Transferência) será o custo de produção desse país mais uma parte do lucro atribuível conforme apuração ou estimativa prévia. 

Vide exemplo a seguir:

País Exportador

Custos de Fabricação – 100
Outros custos do país exportador – 20
Custo Total do exportador – 120

País Importador

Custo de origem – ...................................120
Fretes e outros custos – ............................30
Embalagens e outros custos locais – .......10
Custo Total do País importador... 150

Preço de Venda...200
Despesas Administrativas e comerciais
12% sobre a venda ................................... 24
Lucro gerado ............................................. 26
( 200 menos custo 150, menos despesas 24 = 26 )
Suponhamos que os lucros gerados sejam compartilhados entre importador e exportador em partes iguais ( 50% para cada ), assim teríamos:

Custo do país exportador - 120
Parte do lucro ....................... 13

Preço de Transferência ........133


PROTEÇÃO CONTRA RISCOS (POLÍTICOS / CAMBIAIS)

Créditos e débitos em moedas estrangeiras podem trazer riscos para as empresas. Isso ocorre sempre que oscilações expressivas nas taxas do dólar acabam gerando perdas expressivas.

Mecanismos para proteger as empresas contas perdas cambias são:

  • Hedge
  • Busca da redução de dívidas em moeda estrangeira
  • Investimentos em moeda estrangeira
  • Postergação dos recebimentos em moeda estrangeira em momentos de desvalorização crescente;
  • Adiantamento dos pagamentos em moeda estrangeira em momentos de desvalorização crescente;
  • Substituir fornecedores locais por fornecedores estrangeiros;
  • Abertura de Filiais em outros países para empresas nacionais ou busca por parceiros internacionais;
  • Aumentar exportações
  • Etc.

Contra riscos políticos, econômicos, guerras e outros as corporações internacionais procuram analisar e entender profundamente os contextos em que as empresas estejam operando. Assim o fluxo de investimento dessas empresas consideram o risco que de cada país que é um indicador internacional.
Ações como hedge, joint ventures, políticas conservadoras de investimentos , lobbies e redução de atividades podem ser práticas necessárias para se protegerem as empresas.


PROCEDIMENTOS “INTER COMPANY


As empresas de um mesmo grupo precisam manter uma série de controles a fim de poderem apresentar suas demonstrações de forma correta. Algumas dessas práticas são:

  1. Contabilizações em Trânsito das Vendas e Estoques “Inter Company”. Quando uma empresa afiliada vende produtos ou serviços para outra empresa do mesmo ou de outro país, se faz necessário efetuar contabilizações de produtos em transito.
  2. Circularizações das operações Inter Company. São procedimentos que visam conciliar registros contábeis das transações efetuadas entre afilidas.


PADRONIZAÇÃO DE SISTEMAS DE GERENCIAMENTO


Corporações internacionais se valem de intensa padronização. Os sistemas de gerenciamento tendem a ser amplamente normatizados pelas empresas internacionais, o que pode envolver Relatórios Padrões, Indicadores de Performance, Sistemas Integrados, etc. Na última empresa onde trabalhei com carteira assinada era adotado o sistema integrado SAP, e em praticamente todas as mais de cem unidades da empresa esse sistema era adotado. Isso permitia à matriz acessar os dados reportados nos diferentes países e consolidá-los.



POLÍTICA DE AQUISIÇÕES, FUSÕES, JOINT VENTURE


Empresas Internacionais frequentemente adotam agressiva política de crescimento. Muitas vezes os crescimentos são obtidos não somente com aumento de vendas, participação de mercado, lançamento de novos produtos, etc..., Assim muitas empresas adotam agressiva política que envolve aquisições de novas empresas. A utilização de Joint Ventures, parcerias e outros recursos também comuns nesse tipo de organização.




GERENCIAMENTO REGIONAL

Gerenciamento Regional é uma prática muito utilizada em corporações internacionais. Assim as multinacionais costumar ter executivos responsáveis por determinadas atividades para uma região. Exemplo: Região Latino-Americana, Região Européia, etc... O gerenciamento região facilita a gestão de negócios, muitas vezes reduz cargos nos países, mas gera despesas de viagens devido às frequentes reuniões regionais.

PADRONIZAÇÕES

As grandes corporações são altamente padronizadas. Abaixo seguem alguns exemplos de padronização frequentemente encontrados nas multinacionais:

  • Sistema de Gestão;
  • Indicadores de Desempenho;
  • Plano de Contas;
  • Softwares diversos;
  • Codificação de produtos, estoques, clientes, fornecedores e outros;
  • Manuais de Procedimentos;
  • Código de conduta e Política de Ética;
  • Etc.

A padronização facilita e auxilia no processo de controle da matriz sobre as filiais, facilitando a gestão e propiciando avaliação comparativa entre as diversas unidades distribuídas pelo mundo.

GERENCIAMENTO GLOBAL DE MARCAS


Grandes corporações possuem estratégia direcionada às suas principais marcas, assim estratégias locais devem estar alinhadas com a estratégia mundial para as marcas. As marcas estão entre os principais ativos das empresas assim políticas globais voltadas para as mesmas são usuais nas grandes corporações.


ORÇAMENTO GLOBAL E REGIONAL

Os orçamentos operacionais ( curto prazo ) devem estar alinhados com o Plano Estratégico ( Longo Prazo ) e ambos alinhados com as estratégias globais.

Nas grandes corporações os orçamentos são padronizados, consolidado regional e mundialmente. Cada etapa do orçamento (local, regional e mundial) deve passar pelos níveis de aprovação necessários, além de requerer uma ampla participação dos diversos níveis da empresa.


CONTRATOS GLOBAIS DE FORNECIMENTO e

PARCERIAS COM FORNECEDORES DE SERVIÇOS

As empresas com filiais em diversos países podem negociar contratos mundiais de fornecimento, usando tal recursos para baixar custos e aumentar qualidade.

Parcerias com fornecedores de serviços também se constituem em importante elemento de melhoria para a empresa multinacional. Contratos globais podem ser negociados com consultorias, corretoras de seguros, empresas de auditoria, etc.

BENCHMARKING

A comparação entre diversas unidades de um mesmo grupo de empresas pode ser constituir em forte elemento de auxílio na identificação de unidades passivas de pontos de melhorias. Em um processo de benchmarking as unidades de uma empresa multinacional podem aprender mutuamente. Reuniões periódicas e relatórios com dados comparativos entre países podem ser formas de benchmarking entre empresas de um grupo.

UNIDADES DE NEGÓCIOS

As unidades de negócios também podem ser encontradas em empresas domésticas, más ela é altamente utilizada na empresa multinacional. Unidade de Negócio significa segmentar a empresa e dirigir cada segmento como se fosse uma empresa individual. Nas mega corporações é praticamente impossível a administração sem a adoção de unidades de negocio.

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