Controle da Disponibilidade: O Indicador Esquecido que está mostrando perdas de Milhões nas Indústrias

 

Controle da Disponibilidade: O Indicador Esquecido que está mostrando perdas de Milhões nas Indústrias

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Por que investir milhões em equipamentos que permanecem parados?

Imagine uma empresa que decide comprar uma casa de três quartos para acomodar sua família. Entretanto, durante anos utiliza apenas um ou dois quartos, deixando o restante permanentemente fechado.

Parece um desperdício evidente.

Curiosamente, exatamente esse comportamento ocorre diariamente em milhares de empresas industriais.

Investem milhões de reais em máquinas, centros de usinagem CNC, linhas automatizadas, robôs, prensas e equipamentos de alta tecnologia, mas desconhecem quanto tempo esses ativos realmente permanecem disponíveis para produzir.

Na prática, compraram uma fábrica de "três quartos" e utilizam apenas um ou dois.

O mais preocupante é que, na maioria dos casos, a diretoria sequer percebe o tamanho dessa perda.


Disponibilidade: o primeiro indicador da produtividade

Toda empresa acompanha faturamento, custos, margem, EBITDA, fluxo de caixa e lucro.

Poucas acompanham, com o mesmo rigor, o indicador que influencia todos eles:

Disponibilidade dos ativos produtivos.

Disponibilidade representa o percentual do tempo em que um equipamento está realmente apto para produzir.

Pode parecer um indicador simples.

Na realidade, talvez seja o indicador mais importante de toda a manufatura.

Sem disponibilidade não existe produção.

Sem produção não existe faturamento.

Sem faturamento não existe lucro.


Grandes empresas podem ter Eficacia menor do que as pequenas

Uma empresa pode possuir:

  • 150 máquinas;
  • equipamentos de última geração;
  • alta automação;
  • robôs industriais;
  • softwares sofisticados.

Ainda assim apresentar desempenho inferior ao de uma empresa menor.

O motivo?

Baixa disponibilidade operacional.

Uma máquina parada produz exatamente zero.

Seu custo, entretanto, continua existindo:

  • depreciação;
  • energia contratada;
  • aluguel;
  • financiamento;
  • manutenção;
  • operadores;
  • supervisão;
  • custos indiretos.

O investimento continua sendo pago.

A produção não.


A falsa impressão da eficiência

É comum ouvir afirmações como:

"Nossa fábrica trabalha três turnos."

ou

"As máquinas operam 24 horas por dia."

Na prática isso raramente acontece.

Ao analisar detalhadamente um equipamento encontramos perdas como:

  • setup;
  • troca de ferramenta;
  • falta de matéria-prima;
  • espera de operador;
  • manutenção corretiva;
  • manutenção preventiva;
  • programação inadequada;
  • falta de ordem de produção;
  • espera por inspeção;
  • ajustes de qualidade;
  • limpeza;
  • reuniões;
  • falta de energia;
  • problemas de ERP;
  • espera por empilhadeira.

Quando todas essas pequenas perdas são somadas, frequentemente apenas 60% a 75% do tempo disponível transforma-se em produção efetiva.

O restante simplesmente desaparece.


A disponibilidade deve ser medida em tempo real

Muitas empresas ainda fazem apontamentos ao final do turno.

Outras registram informações no dia seguinte.

Algumas sequer registram.

Esse modelo possui um problema grave:

o problema já aconteceu.

Não é possível recuperar uma hora perdida ontem.

A gestão moderna exige acompanhamento em tempo real.

Cada minuto de parada deve ser registrado no momento em que ocorre.

Assim a liderança consegue agir imediatamente.

Quanto maior o tempo entre o evento e sua identificação, maior será o desperdício.


O custo invisível das pequenas paradas

Uma parada de cinco minutos parece irrelevante.

Entretanto imagine uma fábrica com:

  • 80 máquinas;
  • 12 pequenas paradas por turno;
  • três turnos.

Em poucos meses centenas de horas produtivas deixam de existir.

Sem que ninguém perceba.

Em muitos casos seria possível aumentar significativamente a capacidade produtiva sem comprar uma única máquina adicional.

Bastaria eliminar parte das perdas.


O que não é medido não pode ser melhorado

Peter Drucker popularizou a ideia de que:

"O que não pode ser medido não pode ser gerenciado."

Na indústria esse princípio é absoluto.

Se não conhecemos exatamente:

  • quando a máquina parou;
  • quanto tempo permaneceu parada;
  • quem registrou;
  • qual foi o motivo;
  • qual área foi responsável;
  • qual foi o impacto;

torna-se impossível implementar melhoria contínua consistente.

A gestão passa a ser baseada em opiniões.

Não em fatos.


Não basta medir. É preciso classificar as perdas.

Um dos maiores erros encontrados nas empresas é registrar simplesmente:

"Máquina parada".

Essa informação praticamente não possui valor gerencial.

É necessário catalogar cada ocorrência.

Por exemplo:

Paradas operacionais

  • Setup
  • Troca de ferramenta
  • Ajustes
  • Limpeza
  • Espera de operador

Paradas de manutenção

  • Corretiva
  • Preventiva
  • Lubrificação
  • Quebra mecânica
  • Falha elétrica

Paradas logísticas

  • Falta de matéria-prima
  • Falta de embalagem
  • Espera de empilhadeira
  • Movimentação interna

Paradas administrativas

  • Falta de programação
  • Espera de aprovação
  • Mudança de prioridade
  • Reuniões

Paradas externas

  • Energia
  • Rede
  • Sistema
  • Fornecedor

Somente essa classificação permite identificar as verdadeiras causas das perdas.


Disponibilidade não é apenas indicador operacional

Controladores, CFOs e diretores financeiros deveriam acompanhar esse indicador diariamente.

A disponibilidade impacta diretamente:

  • custo de transformação;
  • custo unitário;
  • absorção dos custos fixos;
  • margem de contribuição;
  • EBITDA;
  • retorno sobre ativos (ROA);
  • retorno sobre capital investido (ROIC);
  • necessidade de novos investimentos (CAPEX).

Em diversas empresas, antes de investir milhões em novos equipamentos, bastaria elevar a disponibilidade dos ativos existentes.

Ganhos de disponibilidade de poucos pontos percentuais podem representar aumentos expressivos na capacidade produtiva, adiando ou até eliminando a necessidade de novos investimentos.


A disponibilidade como pilar do OEE

A metodologia OEE (Overall Equipment Effectiveness) é formada por três componentes:

  • Disponibilidade;
  • Performance;
  • Qualidade.

Sem disponibilidade elevada, mesmo equipamentos rápidos e com excelente qualidade jamais alcançarão um OEE de classe mundial.

Por isso, a disponibilidade é frequentemente considerada o primeiro passo da excelência operacional.


A Indústria 4.0 exige informação em tempo real

Os conceitos da Indústria 4.0 transformaram o modo de gerir operações.

Hoje é possível monitorar continuamente:

  • máquinas CNC;
  • centros de usinagem;
  • linhas automáticas;
  • robôs;
  • equipamentos de montagem;
  • células produtivas.

Dashboards atualizados em tempo real permitem que gestores acompanhem a utilização dos ativos, identifiquem desvios instantaneamente e atuem antes que pequenas perdas se transformem em grandes impactos financeiros.

A tecnologia deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito para empresas que buscam competitividade sustentável.


Conclusão

A verdadeira capacidade produtiva de uma empresa não está apenas no número de máquinas instaladas.

Ela depende da capacidade de manter esses ativos produzindo, de forma contínua, com o menor número possível de interrupções.

Controlar a disponibilidade deixou de ser uma atividade operacional.

Hoje é uma decisão estratégica.

Empresas que acompanham esse indicador em tempo real conseguem aumentar produtividade, reduzir custos, melhorar o retorno sobre os investimentos e ampliar sua competitividade sem necessariamente adquirir novos equipamentos.

A pergunta que todo gestor deveria fazer é simples:

Quantos "quartos" da sua fábrica estão realmente sendo utilizados?

Talvez a maior oportunidade de crescimento da sua empresa já esteja instalada no chão de fábrica — apenas aguardando uma gestão mais inteligente.

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