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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Activity Based Costing / Custos Baseados em Atividades

Utilizo o ABC desde 1995 e considero essa abordagem o que existe de mais adequado para identificação e gerenciamento estratégico dos custos em geral.

O ABC  não é recomendável apenas em empresas industriais onde o valor dos matériais assume proporção muito elevada.

Abaixo destaco parte da minha dissertação de mestrado onde abordo o ABC.


Nas décadas de 50 ou 60 as empresas faziam uso de mão obra intensiva, os custos indiretos eram quase que exclusivamente distribuídos com relação às horas produtivas trabalhadas. Assim os custos indiretos eram acumulados em departamentos e a seguir eram distribuídos aos centros produtivos com relação a alguma base de rateio, que sendo menos ou mais sofisticadas, sempre assumiam uma considerável dose de arbitrariedade. 


A partir do final da década de setenta, acentuando-se nos anos oitenta, as empresas passam a utilizar intensivamente tecnologias avançadas expressas na forma de robotização, sistemas de produção totalmente monitorados por computador e outros recursos tecnologicamente avançados. 

Sob esse cenário, o custeio baseado em atividades nasceu em função da obsolescência do sistema de custeio tradicional, o qual em um sistema avançado de manufatura e controle não mais atendia às necessidades. 

O ABC é a solução adequada para resolver os problemas de custeio resultantes do emprego dos sistemas correntes em novos ambientes de trabalho; é uma técnica de custeamento em que os custos e despesas indiretos são apropriados às várias unidades, através de algumas bases que nem sempre estão relacionadas aos volumes dos fatores de produção.

Comparado com os critérios correntes, o ABC representa uma apropriação mais direta. O ABC reconhece como diretos custos e despesas antes tratados como indiretos, não em relação aos produtos fabricados, mas às muitas atividades necessárias para fabricar os produtos. 

No método de custeio baseado em atividades, ou ABC, assume-se, como pressuposto, que os recursos de uma empresa são consumidos por suas atividades e não pelos produtos que ela fabrica. Os produtos surgem como conseqüência das atividades consideradas estritamente necessárias para fabricá-los e/ou comercializá-los, e como forma de se entender às necessidades,  expectativas e anseios de clientes. 

Os sistemas de custos tradicionais que privilegiavam a mão-de-obra como base para alocação dos custos indiretos passaram a gerar grandes distorções nos custos dos produtos.

A finalidade do ABC é apropriar os custos dos recursos consumidos às atividades executadas pela empresa e, então, apropriar de forma adequada aos produtos atividades segundo o uso que cada produto faz das mesmas.


DRUCKER efetua a seguinte avaliação do ABC:

“A contabilidade de custos tradicional mede quanto custa fazer alguma coisa, por exemplo, tornear a rosca de um parafuso. O custeio baseado em atividades também registra o custo de não fazer, como o custo da máquina parada, da espera por uma parte ou ferramenta, de estoques esperando embarque e do retrabalho;ou rejeição de uma peça defeituosa.

Os custos de não fazer, que a contabilidade de custos tradicional não pode registrar, com freqüência igualam e em alguns casos excedem os custos do fazer. Portanto o custeio baseado em atividades não só nos dá um controle de custos muito melhor, mas também o controle de resultados” (DRUCKER; 1999).

KAPLAN & COOPER (1997) ressaltam que os custos baseados em atividades permitem que os custos indiretos e de suporte sejam direcionados, em primeiro lugar, para atividades e serviços, e depois para os produtos, serviços ou clientes, isto é, este sistema dá aos gerentes uma clara visão da composição de custos de suas operações.

Segundo O’GUIN (1991), o sistema de custos ABC foi desenvolvido para entender e controlar os custos indiretos. Na medida em que os custos indiretos são detalhados por atividade, e cada portador de custos, clientes, centro de serviço ou produto, recebe a parcela que lhe corresponde; os custos de atividades identificadas no ABC passam a ser alocadas aos portadores de custos, de acordo com os recursos que eles consumirem.

Passos principais a serem observados no processo de elaboração do custeio através do ABC:

·      Identificação dos recursos, como por exemplo, de recursos relativos: salários e encargos, gastos com viagens e estadias, mão-de-obra de terceiros, depreciações, materiais auxiliares, etc.

·      Identificação dos processos e atividades que fazem parte desse processo, tais como: processo de produção, processo de garantia da qualidade, processo de compras de materiais produtivos. Um processo pode ser formado por diversas atividades.

·      Distribuição de custos dos recursos às atividades, mediante rigorosa análise que identificará onde os recursos serão consumidos. No caso de recursos de mão-de-obra deve-se avaliar a distribuição do tempo de cada funcionário em função da dedicação do mesmo às diversas atividades; em muitos casos é necessário um controle diário das horas trabalhadas por atividade.

É oportuno dizer que, uma vez distribuídos os recursos às atividades, as mesmas são direcionadas aos produtos ou clientes de acordo com direcionadores de custos, que substituem as antigas bases de rateio.            

Neste sentido, os direcionadores de custos deverão captar dentro da melhor lógica o quanto cada atividade é consumida pelos produtos ou clientes.

Uma atividade que implique em custo de estocagem, poderá ser distribuída entre os produtos que usufruam dessa estocagem, com base na área cúbica ocupada pelos produtos. Já, uma atividade voltada para a preparação de material deverá ser absorvida apenas pelos produtos que se utilizem dessa atividade.

Outra característica do ABC é que os custos dos produtos/clientes poderão ser decompostos em atividades e recursos, permitindo uma completa rastreabilidade com relação às respectivas composições de custos.

Outra importante análise decorrente do ABC é a avaliação minuciosa de cada atividade, identificando as que agregam e as que não agregam valor aos produtos.

A analise das atividades, muitas vezes conduz a uma revisão completa dos processos, implicando em profundas mudanças com conseqüentes reduções de custos.



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