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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Meu Primeiro Emprego - Office Boy


O meu primeiro emprego foi numa forjaria aos quinze anos de idade.


Comecei como office boy e recebia a "fortuna" de meio salário mínimo, pois na época existia salário de menor que correspondia a 50% do salário normal.
Minha primeira função nesse emprego era uma atividade insalubre.


Eu tirava "copias heliográficas" numa máquina fedorenta movida a amoníaco.
Eu tirava as cópias, cortava dobrava e distribuía nos diversos departamentos. Nos dias de maior atividade ficava com dor de cabeça.
A atividade era tão insalubre que me davam um litro de leite por dia para neutralizar um pouco o veneno aspirado. No entanto, o meu chefe, um sujeito gordo e bonachão, tomava o leite todo. Seria esse um dos motivos da flatulência crônica que o sujeito tinha?  O pior é que parece que ele se orgulhava disso e fazia questão disparar em alto e bom som seus flatos barulhentos.

Quando chegava nas manhãs eu tinha que tirar o pó das pranchetas do desenhistas e projetistas, o que eu fazia sem reclamar.

Fiquei sofrendo nessa posição insalubre cerca de 10 meses,  até que surgiu uma oportunidade como auxiliar de escritório, numa área onde calculavam prêmios de produção. A atividade exigia o preenchimento de um monte relatórios e cálculos numa máquina FACIT manual. Me candidatei e felizmente fui aprovado para a função.

Chegando à nova função o trabalho estava todo acumulado, pois o funcionário responsável não conseguia dar conta do trabalho, além de acumular muitas faltas. Tive que me desdobrar para colocar o trabalho em dia, mas não tardou a manter a deixar o trabalho regularizado, além de me tornar exímio operador da calculadora manual Facit.

O trabalho consistia em calcular relatórios com cálculos de prêmios de produção. O trabalho também demandava frequentes visitas ao chão de fábrica, onde eu verifiquei a dureza que era o trabalho numa Forjaria, onde profissionais que operavam as máquinas se desdobravam para produzir o máximo possível e desta forma conseguirem os melhores prêmios por produção. Me recordo que Operadores de Máquina recebiam 100% do premio, os rebarbadores e auxiliares do operadores recebiam 65% e os forneiros 50%.

Com 16 anos de idade eu mantinha o trabalho em dia e todos os afetados direta ou indiretamente estavam satisfeitos com o meu trabalho. Fiquei tão rápido na máquina Facit que as pessoas paravam para me ver trabalhando. Ei fazia de conta que não percebia, mas no fundo sentia uma certa satisfação de ver o meu trabalho ser admirado.

Fiquei pouco mais de 6 meses nessa função e me puxaram para a área de PCP, o que me ajudou ainda mais no meu aprendizado e desenvolvimento.

Se não fosse a minha paciência e aceitação da primeira e pior fase na empresa certamente teria perdido boas oportunidades. Na realidade, nunca me preocupei muito com isso e fui sempre fazendo o melhor possível dentro das minhas possibilidades. Focar uma coisa de cada vez e curtir o que se faz para mim eram coisas normais, que muito me ajudaram nessa fase.

Meus superiores ganhavam 10, 20 ou 30 vezes o que eu ganhava, mas nunca me preocupava com isso. O meio salário mínimo inicial era suficiente e as promoções e aumentos para mim representaram grandes conquistas que alavancaram coisas maiores posteriormente.

Comecei a aprender naquela época que a turma das lamentações vivia criticando e reclamando de tudo. Eu nunca vi muito sentido nas atitudes dessa gente. Muitos deles nunca evoluíram em suas carreiras, já alguns conseguiram enganar muito bem e acabaram até promovidos. Mas é isso, se não der para mudar o mundo, faça a sua parte. Não espere perfeição da empresa onde atua, dê o melhor de você e as oportunidades surgirão. Faça isso por você e não para a empresa. Mas se não surgirem oportunidades tome cuidado não se precipite.











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