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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Um olhar para o Balanço da Petrobras de 2015


Um olhar rápido sobre os Demonstrativos da Petrobras mostra a imensa perda de valor da empresa que em dois anos atingiu 55 bilhões de reais.





Em 2014 a baixa margem ( Lucro Bruto) de 80.437 (23,9%) é indicativo que a contenção de preços ( ano de eleições ) prejudicou a margem operacional e teve grande impacto no resultado daquele ano. 

                                                                                                                                                                                                                                                                                               


O circulante da empresa está razoável, mas quando se avalia o endividamento da empresa no longo prazo o cenário é horrível. Só de dívidas de longo prazo a empresa tem quase o dobro do Patrimônio Líquido. Importante ressaltar que grande parte do endividamento da empresa é em dólar, um dos motivos pelo qual cresceu o valor da dívida com geração de elevada despesa de variação cambial.

As despesas com desvalorização de ativos apontada em teste de Impairment que foram lançadas apenas no quarto trimestre mostram uma prática questionada por analistas. O valor a cada trimestre deveria conter uma provisão para essas perdas. A perda por trimestre tratada de forma linear seria algo perto de 8 bilhões de reais. Ocorre que muitas vezes a contabilidade adota práticas apoiadas por auditores e até suportadas por normas contábeis, onde caso não haja possibilidade de fazer um cálculo objetivo prefere-se estar exatamente errado do que aproximadamente correto. 

Despesas de Vendas e Administrativas ficaram nos mesmos níveis de 2014. Mas o balanço não faz referência a esses itens nas notas explicativas, que apesar de terem mostrado evolução adequada de um ano para outro correspondem a cerca de 27% da margem gerada em 2015.

Por outro lado, os gastos com extração e pesquisa e desenvolvimento correspondem a 8,5 bilhões de reais, ou seja, menos de um terço das despesas com vendas e administrativas. Esse valor representa uma diminuição de 1 bilhão sobre ano anterior. O valor ainda corresponde a cerca de um terço das Despesas de Vendas mais Despesas Administrativas.

Os sálarios pagos mais encargos, planos de saúde, plano de pensão e FGTS somam quase 30 bilhões. É altamente recomendável que a Petrobrás faça um plano de reestruturação visando enxugar os custos da máquina administrativa e aumentar eficiência e eficácia nos processos. Isso seria muito bem visto pelos investidores, mas muito mal por sindicatos e funcionários, além de contribuir para recuperação de parte das perdas ocorridas.

Os resultados incorporam provisões para contingências trabalhistas, fiscais e cíveis de 5,5 bilhões. Mas existem potenciais contingências de risco possível com valores astronômicos que não são provisionados por critério contábil. No entanto, uma futura mudança na classificação dessas contingências de possível para provável poderá implicar em reconhecimento de perdas de até 162 bilhões de reais o que seria um catrastofe que quase zeraria o Património Líquido da empresa.

Finalizando, e sem entrar em questões políticas desta ou de outra gestão, é notório que a Petrobras carece de uma gestão técnica e profissional e a utilização da empresa por políticos tem um efeito devastador. O resultado está ai para todos verem.


Ariovaldo Silva. Mestre em Contabilidade, Professor Universitário e Fundador da Alpha Premium Consultoria.

Fonte dos balanços: http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/resultados-financeiros/holding

arilopes@alphapremiumconsultoria.com.br

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